Lendo: Northanger Abbey (Jane Austen) e Melancia (Marian Keyes) simultaneamente.

Vendo: Assisti a O escafandro e a borboleta e amei! Recomendo.

Ouvindo: Coldplay, Nick Drake, Jamiroquai, Nelly Furtado, Lily Allen, Amy Winehouse, sucessos da Motown. Mais eclético, impossível.






Quarta-feira, Outubro 15, 2008


Homo estetis

Engraçado como novas rotinas de beleza vão sendo inseridas no seu cotidiano de tal forma que, para estar minimamente apresentável para colocar a cara na rua, temos que passar por quase duas horas de preparação. Creme para o rosto, para celulite, para a barriga. Depois, mousse no cabelo. Depois, creme nas pernas. Perfume no pescoço e braços. Aí sim, devidamente besuntada de creme e loção, você pode se considerar um ser humano digno de aparecer à vista de outros seres humanos que, por sua vez, também gastaram duas horas se preparando. Apesar de sempre nos exigir tempo, a vida moderna também arruma um jeito para que utilizemos as poucas horas que nos restam em coisas completamente fúteis e sem sentido. Afe!!!

garatujado por Elaine 2:21 PM



Segunda-feira, Outubro 13, 2008


O escafandro e a borboleta

E lá está um homem jovem, bonito, bem-sucedido editor da revista Elle francesa, pai de filhos adoráveis. E, de repente - não mais que de repente - o cara sofre um AVC massivo no tronco cerebral e fica completamente imobilizado, a não ser pelo seu olho esquerdo. Que podemos esperar de um filme com tal protagonista? Claro que podemos esperar muita coisa. E essa lição eu aprendi com O escafandro e a borboleta, filme que vi ontem e me deixou arrepiada dos pés a cabeça. Lindo, lindo, LINDO.

Um cara completamente imobilizado, que só consegue se comunicar através de piscadelas de seu olho esquerdo, consegue até escrever um livro! O que não poderíamos fazer? Quais são as nossas possibilidades? Infinitas! O poder da imaginação humana transcende os limites do corpo e do tempo.

P.S.: esta espantosa história de vida e sobrevivência põe em perspectiva toda aquela história sobre as minhas linhas de expressão, não é?

garatujado por Elaine 12:21 PM



Sábado, Outubro 11, 2008


Sessão cinema

Fim de semana nublado, chuvoso, com pouca coisa para fazer - a não ser me enfiar nas cobertas e ver filmes, um atrás do outro. Sorte que estou com um estoque de quase todos os filmes que concorreram ao Oscar este ano. Já vi Onde os fracos não têm vez, Juno, Sangue Negro, Desejo e Reparação, e Piaf - Um hino ao amor (em que, confesso, chorei como um bebê no final). Mas faltam ainda Sicko e O escafandro e a borboleta.

garatujado por Elaine 9:51 AM



Quinta-feira, Outubro 09, 2008


Sinal dos tempos

Já faz uns dois meses que detectei, com supremo horror, três linhas de expressão na minha testa. Mal pude acreditar. O que elas fazem ali? Mas que diabo! Logo eu, que nunca fiquei tostando no sol, já começo a ter rugas antes dos 30? Me senti uma anormal. Pelo aparecimento das rugas precoces, culpei, entre outros fatores, a minha mania de exibir exageradamente os meus sentimentos por expressão facial. Quem me conhece, sabe que tenho essa tendência de fazer cara de máscara de teatro grego para exprimir alegria, tristeza, desprezo, espanto - aliás, foi exatamente a cara de espanto que me revelou, no espelho, as malditas rugas.

Mas eis que, há pouco tempo, vejo na televisão a propaganda de uma marca famosa de cosméticos anunciando um novo creme anti-idade para jovens a partir dos 25 anos! É isso mesmo, 25 anos? Eu sou do tempo que creme anti-ruga era coisa que as mulheres só usavam a partir dos 40 anos. Depois, fiquei sabendo que criaram um para as mulheres de 30. E estava eu super satisfeita em saber que só teria que me preocupar com isso daqui a três anos, quando me fizeram o favor de lembrar que, não senhora, dona Elaine: agora, é a partir dos 25 anos e você está dois anos atrasada*. Qual será o próximo passo? Creme anti-rugas para meninas de 10 anos? Ou melhor, assim que nascermos a mamãe vai ter que se preocupar em passar hipoglós no bumbum e renew/chronos no nosso rosto? (tomar cuidado para não trocar os dois. Visão muito estranha de um bebê com a cara melecada de hipoglós e a bunda rejuvenescida).

Por que estamos envelhecendo cada vez mais cedo? Será que é por causa do efeito estufa, do aquecimento global? O buraco na camada de ozônio? A poluição? A comida cheia de agrotóxico e hormônios que comemos? Ou será que não estamos envelhecendo e isso é um golpe da indústria bilionária de cosméticos para nos fazer nos sentir um lixo e conquistar a fidelização de suas clientes por mais tempo de vida?

*N.A.: Visto por prisma diferente, até fiquei um pouco satisfeita: afinal, apesar da completa falta de cuidados para com minha pele, só fui começar a ter linhas de expressão (ô eufemismo, hein!) aos 27, ou seja, com dois anos de vantagem. Fico pensando, no entanto, se elas estariam ali se eu tivesse me precavido mais cedo. Afe! Essas conjecturas não vão fazer bem a ninguém e noto, perplexa, que passei meia hora divagando sobre rugas de expressão. Argh!

garatujado por Elaine 1:19 PM



Terça-feira, Outubro 07, 2008


Para constar

Apesar do tom spleen do post anterior, ainda não estou completamente disfuncional (se tal palavra existe). Já estou pensando em um plano B. Aliás, na vida, é sempre de bom senso ter um plano B - e, se possível, um plano C - dentro da manga.

garatujado por Elaine 11:15 PM




Sem chão

É engraçado como a vida da gente, de repente, dá uma estacionada - como se entrasse numa cápsula criogênica e esperasse ser descongelada daqui a 200 anos. Tantos acontecimentos, um em cima do outro e, de repente, puf! A parada total.

E, até nesse caso, a lei da inércia se aplica: seu corpo continua no ritmo da sua vida, mesmo que sua rotina tenha mudado radicalmente. Casada com o trabalho, ralando 44 horas semanais (ou até mais), vida pessoal inexistente. De repente, 44 horas se transformam em zero, neca, nadica de nada. Como se acostumar a isso? Como aceitar que, depois de quatro anos sem férias, você está em férias por tempo indeterminado?

É lógico que a energia acumulada está me afetando de alguma forma, e a vítima da vez é o meu sono. Desenvolvi, de uma hora para outra, uma insônia de dar gosto. Fico acordada, completamente acordada, até umas 4h para, assim que pego no sono, acordar dali a outras quatro horas. Quatro horas de sono por dia! Não vivia assim desde a época da faculdade, quando trabalhava e estudava o dia inteiro. Chegava em casa à meia-noite, só conseguia dormir às 2h, acordava às 5h30 para estar em Niterói às 8h, a tempo do estágio. Isso mesmo, quase um ano nessa rotina, dormindo três horas e meia por dia. Mas eram outros tempos e eu, infelizmente, também era outra. Faz só - - oito anos! Se continuar dessa maneira, não sei que reflexos isso poderá ter na minha saúde... e, francamente, não estou me importando muito. Este é o primeiro estágio da depressão?

Na verdade, esse é o resultado do perigo que é resumir sua vida a apenas uma representação. Eu me resumi a ser profissional. Agora, tiraram a profissional de mim, me deixaram sem chão e, honestamente, não sei o que fazer a partir daqui. Perdi totalmente o meu referencial. Deixei de ser protagonista de uma peça para virar uma atriz decadente relegada ao ostracismo.

Melodramática? Talvez. Amarga? Com certeza.

garatujado por Elaine 10:56 PM



Quinta-feira, Outubro 02, 2008


Grande passo

Hoje dei, talvez, o maior passo da minha vida adulta: assinei o contrato de financiamento da minha casa própria. Dá uma sensação de orgulho e temor, medo e alegria. Algo muito estranho e difícil de descrever.

Durante 20 anos, estarei em dívida para com o banco, a quem deverei pagar quantias regulares todos os meses. Vinte anos! Um casamento mesmo, quase uma boda de prata. Não é à toa que está gerando tantos sentimentos contraditórios. Foi um compromisso sério que eu assumi aqui!


garatujado por Elaine 6:55 PM




Voltando à programação normal...

Terminei Orgulho e Preconceito e retomei a leitura de Northanger Abbey.



garatujado por Elaine 11:11 AM



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